Por Diego Costa
As cidades decadentes, as
catedrais góticas, as ruas divididas em becos escuros, os gárgulas no alto dos
edifícios... É mais uma sessão de Vampiro: A Máscara. No momento que digito
esse texto lembro-me de todos esses elementos ao ouvir Bella Lugosi’s Dead, da
banda marco do movimento gótico da segunda metade dos anos 70 e início dos anos
80, Bahaus. A música foi feita em homenagem a Bella Lugosi, o húngaro que foi o
primeiro intérprete de Drácula no cinema e que morreu acreditando ser de fato o
conde de Valáquia e príncipe de Romênia.
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| "Bauhaus: os morcegos deixam a torre do sino." |
Recentemente li um
texto no Malkavianos blog, intitulado “Narrando Vampiro a Máscara: Você está
fazendo isso errado!”, de autoria desconhecida, por assim dizer. Recomendo que
antes de continuarem a leitura o leiam previamente o referido texto por meio deste link . O que se segue é uma exposição pessoalmente crítica e para compreensão ,
inclusive para não criar um olhar dirigido previamente, é necessário que o
leitor já esteja familiarizado com o texto.
Nele, o narrador aponta
o que para ele seriam as formas erradas de fazer uma narrativa do tipo horror
pessoal. O autor nos comunica de antemão que não é o estilo favorito de jogo do
mesmo, e compreensível isso: Nem todo mundo tem culhões suficientes para narrar
decentemente uma side history de
mortos-vivos quanto mais uma campanha do gênero. Não é para menos: a produção
atual, na literatura, nos cinemas e até na música tem criado uma imagem dos
predadores noturnos muito mais “domesticados”, “civilizados” e até porque não
dizer, “fofa”. Bem, não é preciso dar nome aos bois, mas antes que os
apressados digam “CREPÚSCULO”, eu estou me referindo a um espectro bem mais
amplo que abarca quase toda a produção recente (e hollywoodiana) da segunda
metade dos anos 90 para cá.
Sendo direto: a culpa
nunca foi de Stéphenie Meyer. Ela não teve culpa, e não digo isso porque sou fã
de Crepúsculo, muito pelo contrário, tenho ojeriza, e nas vezes que eu vi no cinema,
confesso que me diverti (e muito) com os cacoetes “vampirescos”: personagens
sofredores, estilosos, modernosos, bonitos, sedutores, poderosos, ricos... E
românticos. Muito clichê, mais qualquer menina ama isso (e sim, muito marmanjo
também). Para mim, essa série é uma excelente “comédia dos erros”: uma comédia
involuntária, que ao olhar frio das coisas, produz situações que não eram para
ser cômicas, mas se tornam.
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| A culpa não é minha! Me deixa em paz! |
Erro de Tom? Não creio.
Talvez de construção de narrativa. Muitas vezes esquecemos que uma narrativa
não é feita apenas da História em si, mas da experiência (e das crenças) de
narradores e jogadores. Esses elementos aparecem, ás vezes sutilmente, outras
não, a depender do grupo e do contexto histórico que ele está inserido (além da
faixa etária dos mesmos). Por exemplo: Stéphenie Meyer é uma senhora mórmon
norte-americana, casada, de uma região rural, que lia contos de vampiros e
sonhava com essas criaturas, ao escrever, ela construiu sua narrativa baseada
no que ela mesma vivenciou e nos imperativos categóricos, como diria o filósofo
Emmanuel Kant, de sua moral (isso é perceptível na forma como ela trata o
relacionamento dos protagonistas) e do seu tempo .
Depois de ver o filme
eu me perguntava o seguinte: Ela fez alguma coisa diferente de que um narrador
usual de RPG faria? Pior de tudo, tentava enxergar e julgar a obra segundo a
ótica do que seria (pasmem!) um vampiro real! Traduzindo: os vampiros de
Vampiro: A Máscara. Após tirar onda com algumas amigas, observei bem e me
perguntei: Por que nós jogadores de Storyteller em geral somos tão chatos?