quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Magneto é mesmo um vilão?


"Para quem encontrar isso, sinto muito. Porque estou morto... e agora é com você. Diga a todos que escutarem. Diga a todos que não escutarem. Por favor, não deixem isso acontecer de novo."

- Trecho de uma carta de Max Eisenhardt, que anos mais tarde se tornaria o MAGNETO


Erick Magnus Lehnsher, vulgo Magneto ou "Mestre do Magnetismo", é dito como o mutante mais poderoso do universo Marvel. Sua capacidade de manipular campos eletromagnéticos torna possível controlar os metais até em nível molecular e iônico. Por pregar que os mutantes são o novo Homo superiores, foi responsável por vários atos de terrorismo contra os "não mutantes", alguns dos quais poderia ter dado fim a toda humanidade.

Mesmo sendo um dos mutantes xenófobos terroristas mais perigosos que existem, será que ele sempre foi assim? Quais foram os motivos para tanto ódio?


Todo trauma tem uma origem

Nos quadrinhos, desenhos animados e filmes, a infância de Magneto sempre foi retratada de forma vaga: ele foi uma criança judia que cresceu na Alemanha nazista de Hitler e perdeu a família e a inocência nos campos de concentração de Auschiwitz. As barbaridades que presenciou geraram o imenso ódio que demonstra ter quando adulto. Mas esta origem sempre foi apenas "mencionada".

Durante as muitas menções de sua história antes de ser um vilão, ele demonstrava uma poder notável do qual, aparentemente, não tinha controle. Mas, ao descobrir as suas incríveis habilidades, por que nunca usou isso para proteger os familiares ou mesmo escapar? Afinal, ele passou anos preso. Tempo de sobra para explorar capacidades tão letais. E se ele demonstrou em público, mesmo que sem querer, um alto perigo em potencial, por que não o mataram enquanto podiam? Ou sequer tentaram usar essas estranhas habilidades?

Assim chegamos numa incrível e muito bem produzida publicação roteirizada por Grek Pak e brilhantemente ilustrada por Carmine Di Giandomenico e Matt Hollingsworth, MAGNETO: TESTAMENTO.

Uma criança "normal"

Max Eisenhardt vivia em Nuremberg, Alemanha, 1935. Mesmo sendo um rapaz com notas acima da média, era frequentemente hostilizado e ridicularizado pelos colegas e o diretor do colégio onde estudava. Ele e sua família eram judeus, e sofriam todos os problemas e privações que todos os de tradições judaicas eram obrigados a passar devido a doutrina Nazi-facista implementada na Alemanha pelo partido nazista de Adolf Hitler.

Os poderes de Max são apresentados nesta HQ da forma mais discreta possível. Pois, ele não tinha a menor ciência do que seria capaz no futuro. Ele tinha verdadeira afinidade com metais. Encontrava moedas e objetos metálicos onde ninguém mais seria capaz, quase como se sentisse ou "soubesse" que estavam ali. Essa afinidade pode ter salvado a si e a família de terem sido assassinados durante uma ação de forças policiais alemãs para prender e/ou matar os judeus que viviam em Nuremberg. Um "instinto" acordou Max no meio da noite e viu oficiais armados invadirem com máxima brutalidade as moradias de seus vizinhos. Eles fugiram para a Polônia, como milhares de outros judeus que fugiram do massacre.

Durante o tempo que passou nos guetos de Varsóvia, na Polônia recém-conquistada pela Alemanha, Max conseguia fugir das patrulhas e se aventurar fora dos limites dos guetos para conseguir comida para sua família não morrer de fome. Ele era muito esperto e perceptivo, por isso sobrevivia se escondendo nas sombras da noite. Como "contrabandista", por mais de uma vez sentiu o impulso de dar aos nazistas um gostinho da morte que tanto provocavam. Por sorte, ele sempre tinha alguém que abria seus olhos dizendo que "centenas de judeus teriam sido mortos como retaliação".

Quando as autoridades alemãs decidiram "remover" os judeus dos guetos e levá-los para campos de concentração para trabalho escravo, Max e sua família tentaram fugir. Assim como milhares de outros judeus, a família de Max foi cruelmente chacinada. Max conseguiu sobreviver por muito pouco, mas acabou num campo de concentração de Auschiwitz-Birkenau. Durante seu enclausuramento e trabalho escravo, mas foi um Sonderkommando, alguém que conduzia outros judeus para as câmaras de gás, recolhia seus objetos pessoais e dispensava os cadáveres dos executados. Esse trabalho o manteve longe da execução, mas obviamente ele vivia sob o fio da navalha.

Está bem claro para todos que Max conseguiu fugir ao massacre dos campos de concentração, conhecido mundialmente como "O Holocausto" ou para os alemães, "A Solução Final". Anos mais tarde ele conheceria Charles Francis Xavier, seu maior amigo, rival idealista, opositor e inimigo.


Do que se trata a HQ?

Muitos devem estar se perguntando: Se foi dito acima a real história de Magneto, mesmo que resumidamente, por que adquirir a graphic novel?

O verdadeiro atrativo de MAGNETO: TESTAMENTO, não é apenas a história em si. Todo o trabalho de produção, roteirização e ilustração fazem dessa HQ uma verdadeira obra de arte. Os trabalhos com o traço, as cores e principalmente as expressões faciais e nos olhos dos personagens, são realmente impecáveis! É possível saber o que alguém está pensando só de olhar para suas expressões.

O trabalho com as cores é tão vivo que realmente enche os olhos de quem lê. O jogo de claro e escuro, fontes de luz, lesões na pele e sangue são muito bem utilizados, sem parecer exagero e ao mesmo tempo, notáveis para quem lê, sendo completamente ilustrativos para a trama e o plano de fundo no qual se desencadeia a história.


E o mais importante: os detalhes! Mesmo um leitor atento, se tivesse a oportunidade de ler essa HQ sem saber QUEM é (ou será, no futuro) Max Eisenhardt, ficaria intrigado em perceber como foram tratados os poderes do futuro Magneto no decorrer da história. Pois não é mostrado como uma onda magnética ou metais sendo torcidos e manipulados, apenas a facilidade e afinidade que o rapaz tem com metais. Em muitos momentos cruciais da trama, é possível perceber que a presença do metal pode ter mudado completamente o rumo da trama, sem sequer o rapaz saber de suas "habilidades especiais".

Em leituras e observações posteriores quanto aos detalhes do desenhista e arte-finalista, durante os pontos mais marcantes dessa graphic novel, faz-se perceptível o respeito com que a história é contada. Os olhos de Max Eisenhardt nos primeiros capítulos e depois nos últimos mostra claramente a penumbra na face cansada do rapaz.


MAGNETO: TESTAMENTO está sendo publicado no Brasil pela PANINI COMICS, numa edição de volume único, encadernada de capa dura, de 132 páginas (originalmente, no restante do mundo, é uma coleção com 5 edições).

Há uma história extra no final, de uma sobrevivente do holocausto, Dina Gottliebova ou Dina Babbit, como também é conhecida. Ela sobreviveu por ter pintado um retrato sobre "A Branca de Neve e os Sete Anões". Um oficial nazista gostou de seu trabalho e pediu que ela fizesse retratos de ciganos com os "exatos tons de pele que possuíam". A história extra vale realmente a pena ser lida.


É possível aquirir MAGNETO: TESTAMENTO pela SARAIVA ou pelo site da PANINI COMICS .

6 comentários :

  1. Lázaro 'Arauto' Júnior14 de dezembro de 2011 16:55

    Espero que gostem. Adorei escrever a matéria tanto quanto de ler a HQ.

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  2. Sensacional, parabéns!

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  3. Genial, cara. Realmente fiquei com vontade de comprar a HQ, e acho que irei mesmo.

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  4. A HQ é muito boa! Eu li, ela narra os fatos históricos fielmente. Aquela época do nazismo e campos de concentração...

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  5. Quase um ano depois, mas lá vai! Parebens!

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    1. Não importa se é um ano depois ou um século depois, o importante é que você gostou, obrigado por ler nosso Post e muito obrigado pelos parabéns! A participação de todos é importante...

      Grato a atenção, diretoria Malk's!

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