terça-feira, 10 de maio de 2011

Além da ponte Bifrost...

Confira a análise do filme THOR, primeiro lugar nas bilheterias brasileiras.

A adaptação para o cinema do herói mitológico da Marvel, THOR está dando o que falar nos cinemas daqui. A maioria dos Malkavianos já conferiram o filme nas telonas e Marcelo Queiroga, o nosso novo colaborador e cinéfilo de plantão, preparou uma crítica que examina até os mínimos detalhes. Da mitologia ao modismo atual dos filmes de super-heróis. Confira e dê a sua opinião!




O deus do trovão Thor presente na mitologia dos povos nórdicos também é um dos super-heróis mais famosos da Marvel - uma das maiores empresas de histórias em quadrinhos do mundo todo, que recentemente foi adquirida pela Disney. Sendo assim, o asgardiano não poderia ficar de fora do mundo cinematográfico, e ajudaria a compor a fileira consagrada composta por super-heróis como Homem-Aranha, Homem de Ferro e Hulk.

Asgard, o plano de onde Thor surgiu é uma dimensão particular dentro do rico Universo Marvel, como um universo dentro de outro universo. A morada dos deuses nórdicos evidencia-se por sua grandeza de detalhes e por revelar o lado mais místico da Marvel, com super-heróis e vilões com poderes mágicos e divinos, e a ausência da ciência tão notória em obras como Hulk e Homem-de-Ferro.

Entretanto, se você é fã dos quadrinhos de Thor e espera uma adaptação mais fidedigna da obra se decepcionará um pouco. Pois no filme não existe a evidência de que os asgardianos, dentre eles Thor e Odin, sejam deuses, eles estão mais para alienígenas provindos de outra dimensão do espaço do que deuses propriamente ditos. De tal modo, essa talvez tenha sido a saída que a Marvel encontrou para dar um pouco mais de pseudo-realismo a sua obra, um modismo nos filmes atuais feitos para os super-heróis.

Sem dúvida, um dos maiores êxitos do filme está na atmosfera exposta em Asgard – um planeta repleto de paisagens ricas de grande beleza e imponência, com monumentos grandiosos que expõem toda a majestade da cultura asgardiana (uma ressalva para a Ponte Arco-íris), tudo isso provindo de arquimilionários efeitos especiais, além de um figurino digno de nota que caracterizam a face épica da película.

No filme há muito tempo os caminhos dos terráqueos e dos asgardianos se cruzaram. Tudo começou quando os Gigantes de Gelo liderados pelo Rei Laufey (Colm Feore), uma raça poderosa e dominadora, vieram ao nosso planeta, mais precisamente nas regiões habitadas pelos Vikings, e começaram a espalhar o caos e expandir seus domínios. O justo Odin (interpretado pelo consagrado Anthony Hopkins) ao ver o que acontecia com os indefesos terráqueos diante de seus antigos rivais declarou guerra aos Gigantes e uma grande batalha se iniciou. Após vencerem, muitos dos descendentes de Odin, “Pai de Todos”, além dele próprio, foram divinizados pelos terráqueos e se transformaram no panteão Viking.

Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston) ambos os filhos de Odin, cresceram ouvindo as histórias sobre os terríveis Gigantes de Gelo eternos rivais dos asgardianos. Thor é o príncipe primogênito de seu povo, e no filme é exposto como um jovem de personalidade intensa e imprudente prestes a se tornar o sucessor de seu pai. Tanta imprudência desencadeia uma nova guerra contra os Gigantes, o que consequentemente culmina com o seu banimento de Asgard e sua vinda para a Terra. Thor perde seus poderes quase divinos, perde a capacidade de erguer o martelo Mjolnir, e tem de aprender lições de humildade e prudência em seu exílio na Terra.

O núcleo do filme terráqueo é composto pela competente atriz e vencedora do Oscar Natalie Portman (Jane Foster) que não se mantém muito bem no filme, com aparições apagadas e pouco condizentes com o seu currículo, além do personagem cético interpretado por Stellan Skarsgård (Dr. Selvig) e Kat Dennings (Darcy), que acolhem Thor na Terra. Vemos na personagem Darcy uma tentativa de expor um lado mais cômico ao filme, entretanto, a comicidade do filme Thor beira o ridículo em muitos aspectos, com uma comédia desnecessária, tipicamente exposta para aliviar a atenção, mas que com a ausência de tensão termina tornando-se algo forçado e pouco fundamentado. O filme é repleto de passagens que são difíceis de engolir, como por exemplo, a suposta paixão entre Thor e Jane Foster, que acontece tão rápida quanto o roteiro corrido do filme.

A verdade é que esta película é uma grande adaptação feita para a “família”, e mescla elementos mais toleráveis para o grande público, portanto vemos a criação de relacionamentos ilógicos e um clima notório de “sessão da tarde” incoerente com a obscuridade das tramas expostas na HQ.  O fato de o filme também ser acelerado atrapalha bastante o desenrolar dos fatos. A HQ Thor é muito ampla, para não dizer incomensurável, e seriam necessários pelo menos três filmes para expô-la com maior idoneidade e eficácia. É evidente que o corre-corre do filme atrapalhou em muitos aspectos, pois se perdeu a oportunidade de expor de maneira mais trabalhada muitos fatores bem relevantes aos leitores de Thor, como por exemplo, a vida dele na Terra após ser destituído por seu pai, sua redenção, dentre outras coisas esquecidas pelos roteiristas do filme.

As forças governamentais das histórias em quadrinho da Marvel também perderam um pouco de sua credibilidade. A S.H.I.E.L.D. ("Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão"), uma das maiores instituições internacionais de defesa que está presente no Universo Marvel, revela-se como um emaranhado despreparado de agentes sem competência, perdendo completamente sua personalidade a poderio diante de um Thor desprovido de poderes.

As batalhas poderiam ter sido mais exploradas também. De fato, elas acontecem de forma muito rápida, e simplesmente não empolgam. É possível notar um resgate ao “épico”, entretanto, infelizmente não conseguiram obter o êxito esperado. Quando o Demolidor asgardiano surge na Terra temos mais uma “pisada na bola”. Enquanto a maioria esperava uma grande batalha épica entre a poderosa armadura asgardiana e o deus do trovão, temos uma luta parcimoniosa e desestimulante, como grande parte do filme.

Na obra tivemos também uma menção sutil ao célebre Bruce Banner – o Hulk, além da aparição sucinta do Gavião Arqueiro (interpretado por Jeremy Renner), sendo dois personagens famosos da Marvel. E nos pós-créditos Nick Fury surge interpretado por Samuel L. Jackson e prepara mais uma vez o caminho para a vinda do filme Os Vingadores, que deve unir Hulk, Thor, Capitão América (que estrará em breve em seu próprio longa-metragem) e Homem-de-Ferro em um único filme.

Sem dúvida o filme do herói Thor deixa muito a desejar, principalmente para os fãs dos quadrinhos. Mais uma vez o abrandamento do clima da obra para atingir as grandes massas termina por desestimular uma melhor qualidade. Entretanto, as grandes paisagens e efeitos especiais, além do figurino e um resgate a fantasia do universo dos heróis mostrava-se demasiadamente relevante no filme, o que por si só vale uma ida despretensiosa ao cinema. Além do mais, tivemos neste longa-metragem bons atores, com uma especial ressalva para Hopkins no papel de Odin, e Hiddleston, que para muitos foi o melhor em cena interpretando o manipulador e perigoso deus da trapaça Loki.







8 comentários :

  1. Que conspiração Queiroga,assim os fãs atrasados não vão nem querer ver o filme rs...E claro,o Hopkins é sempre...sem palavras para aquele ator,"perfeito".

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  2. Tem um filme bem antigo do Thor não é ? Você acha que ele tá melhor que o novo em todos os aspectos?Eu lembro que tem , acho que é com o Vandame! rs...Sabe qual é??? :s

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  3. Eu fui ao cinema despretensiosamente ver esse filme, ví dublado para não ler legenda... Não me arrependi, foi exatamente o que eu esperava: Belos gráficos e efeitos fodasticos...

    Queiroga; você esqueceu a menção a Tony Stark na parte que o destruidor acaba de surgir na terra e o cara da shield pergunta: Esse é mais um dos brinquedos do Stark?

    No mais eu sinceramente prefiro a DC Comics!!! E não acho que cinema é um bom lugar para adaptações de HQ's... Uma serie de TV é bem melhor e conta melhor a estória... alem de ser melhor mídia para o tipo de publico (da pra vender mais coisas e fazer mais merchandising...)

    Excelente postagem.

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  4. Melhor não. Havia um seriado toscão do Thor. Mas, pelo menos era mais fiel ao personagem que o filme.

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  5. Seriado do Thor? Esse eu não lembro. Iria assitir ao filme hoje, mas tive que organizar o evento... Fazer o quê né?

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  6. Parabéns Queiroga!!! Muito bom!

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  7. Parabéns Marcelo.
    E realmente pretendo me espelhar nesse Blog para dar mais vida ao meu.

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